Centro Histórico de Guarapari: patrimônio perto do Perocão
Igreja do século 16, ruínas tombadas e um hotel símbolo dos anos 1950 — a 15 minutos das cabanas Argos.
14/07/2026

Guarapari não é só praia. A oito quilômetros do Perocão, o Centro Histórico da cidade guarda uma igreja erguida no século 16, ruínas tombadas desde 1989 e um hotel que foi símbolo de elegância nos anos 1950 — tudo visitável a pé, sem custo de entrada.
Onde a cidade começou
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi erguida em 1585 no alto de um morro, marco do início do povoamento de Guarapari — obra ligada ao padre José de Anchieta, figura central da colonização jesuítica no Espírito Santo. A igreja guarda acervo sacro com peças do século 18 e segue em atividade até hoje. Poucos metros abaixo, as ruínas da antiga matriz — erguida em 1677 e desativada em 1878 por deterioração — foram tombadas como patrimônio cultural pelo Conselho Estadual de Cultura em 1989. Não há teto nem porta: só as paredes de pedra que resistiram a quase 350 anos de maresia, abertas ao público o dia inteiro. Do morro, a vista alcança a orla e o canal — o mesmo ponto alto que orientou os primeiros moradores a escolher o lugar.
As ruínas de 1677 seguem tombadas desde 1989 — patrimônio a céu aberto, sem custo de entrada, no meio da cidade.
O Radium Hotel e a Praia da Areia Preta
Na Praia da Areia Preta, o Radium Hotel foi ícone do turismo capixaba nos anos 1950 — point de elegância na época em que Guarapari virou destino de saúde pela fama da areia monazítica local. Desativado há anos e hoje em obra de conservação, o prédio segue tombado como patrimônio cultural e é o marco visual mais reconhecível do centro da cidade. Bem ao lado, funciona a feira de artesanato mais tradicional do Espírito Santo, ativa desde 1978: fora da alta temporada, a garantia de encontrar os expositores é aos sábados e domingos, a partir das 16h. A fachada em obra é parte da própria história do prédio — patrimônio tombado segue protegido mesmo fora de operação, e o roteiro passa por fora, sem prejuízo pra quem visita.
Poço dos Jesuítas e Gruta de Sant'Ana
O roteiro autoguiado soma mais dois pontos, os dois com placa explicativa no local. O Poço dos Jesuítas, no Morro do Atalaia, foi construído por volta de 1587 para abastecer as missões jesuíticas — obra em pedra, concha e óleo de baleia que resiste até hoje. A Gruta de Sant'Ana, reaberta em 1991 após restauro, virou ponto de fé e contemplação, ligada à memória religiosa mais antiga da cidade. Nenhum dos cinco marcos cobra entrada nem exige agendamento — o roteiro pode ser feito em qualquer ordem, a pé, seguindo a sinalização. Os cinco pontos ficam a uma caminhada curta um do outro, dentro do próprio Centro Histórico — não é preciso carro entre uma parada e outra.
Como encaixar o roteiro saindo do Perocão
- Distância: 8 km / 10-15 minutos de carro entre o Perocão e o Centro Histórico, sem passar pelo trânsito da orla central.
- Ordem sugerida: Igreja Matriz e ruínas pela manhã (sol mais fraco no morro) → Radium Hotel e Praia da Areia Preta → Poço dos Jesuítas e Gruta de Sant'Ana.
- Tempo médio: 2-3 horas pra percorrer os cinco pontos com calma, incluindo uma parada pra café na orla.
- Melhor janela: fim de tarde de sábado ou domingo, pra emendar com a feira de artesanato ao lado do Radium Hotel.
A Argos e o Centro Histórico
As cabanas Argos Cavalo Marinho e Ouriço do Mar ficam no Perocão, zona norte de Guarapari, na ES-060 entre Santa Mônica e Jabaraí — 8 km do Centro Histórico, cerca de 10 a 15 minutos de carro sem passar pelo trânsito da orla central. Pra quem já está na cidade pro Festival Guarapari de Inverno, de 17 a 26 de julho, o roteiro histórico funciona bem como programa de meio período: sai depois do café da manhã, volta pro almoço na área de lazer da cabana antes do show da noite.